As Rabanadas da Maria

Reza a lenda que a sobremesa vai para outro estômago e, como tal, há sempre espaço para um bom doce. E existem dias, na vida, que devem ser celebrados. Pequenas vitórias pessoais, ou algumas datas, que marcam a nossa existência… E eu percebi, ao falar com a Maria, que as suas rabanadas seriam uma boa e saborosa aposta para terminar esta refeição.

A Maria vem de uma dessas terras, bem para lá do Marão, onde a tradição continua a ser o que sempre foi, misturando-se com a vontade de perpetuar bons momentos. A fusão do que é com o que sempre foi, a paixão por uma sobremesa que a sua mãe a pôs a confeccionar desde sempre, e a vontade de perpetuar a sua memória, foi a alavanca motivacional que fez a Maria trazer a rabanada do Natal para o dia a dia. Primeiro o dia-a-dia dos seus amigos, e depois o dos amigos dos amigos e, aos poucos, a cada um de nós. Nós que temos vontade de provar e nos deliciar, com o carinho que coloca em cada uma das suas rabanadas. A tradição renova-se e refaz-se a cada dentada, em momentos que se perpetuam em risos e alegria.

As noites já vão longas e cada vez mais frescas e, depois de um jantar composto, fica a vontade de terminar de forma docinha. A rabanada é um doce típico, e acompanhou a nossa infância. Eu nunca gostei muito de rabanadas e só comia as da minha querida mãezinha. Agora, juntei à minha lista as da D. Manuela e as da tia Belinha: delícias que se tornaram parte do meu Natal, e ainda bem! Gosto muito da família que o meu coração escolheu, e me acolheu, de alma aberta e sorriso rasgado. Com este gosto tão ligado a emoções, adivinhava-se difícil que as rabanadas da Maria conquistassem o meu coração, com o seu sabor. Na realidade, foi bem fácil! Com um molho envolvente, a rabanada desfaz-se na nossa boca, enquanto nos preenche a alma de riso e boa disposição. Acreditem: é impossível ficar indiferente a este doce.

As Rabanadas da Maria fizeram-nos viajar pelo tempo das nossas memórias. Memórias que partilhamos em dentadas. Vocês sabem, eu acredito em sonhos. Em sonhos daqueles que fazem os olhos brilhar, daqueles que nos fazem superarmo-nos a cada dia, mais e melhor. A Maria tem esse olhar, o olhar das memórias vivas no seu doce: a rabanada! Esse doce que faz carinhosamente, onde envolve ingredientes misturados com memórias de outros tempos.

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