Viver

A vida é um mistério gigante, ao qual dou muito valor. Nunca me considerei aventureira o suficiente para pegar numa mochila e vir para o outro lado do mundo, saindo do meu conforto e dos meus privilégios dados como adquiridos. O bichinho ia crescendo, mas este era o meu calcanhar de Aquiles.

E sabem? Repetir várias vezes que a vida acontece fora da nossa zona de conforto não nos faz querer saltar de pára-quedas ou escalar a mais alta das montanhas.

Não. A própria vida trata de te desafiar. De te ir testando aos poucos, sem que te apercebas disso. E, conforme vais aceitando pequenos desafios, vais-te preparando para desafios maiores… Aqueles que escolhes sem saber que, afinal, foram eles que te escolheram.

A Malásia surgiu a brincar, ao apontar no mapa países e sítios que gostávamos de percorrer. Nem sabíamos muito bem o que havia para ver por aqui. Não sabíamos que no Norte do país, os elefantes cruzam as estradas (como as vacas fazem nos Açores!), ou que no Taman Negara existem tigres. Daqueles a sério, e à solta! Cativaram-nos as praias paradisíacas, os trilhos pelas reservas, as tartarugas e os tubarões. Bem, talvez não os tubarões… 

Fomos desenhando a nossa viagem como crianças que rabiscam uma toalha de papel. Ao sabor da nossa imaginação, procurando saber o que esperar, esperando estar à altura de todos os imprevistos. 

Na mochila colocamos vontade, sonhos e determinação, e muito mais do que necessitávamos para saborear novas culturas e deliciar os nossos olhos e a nossa alma. Não é tarefa fácil decidir o que levar numa viagem longa… Queríamos levar o dobro daquilo que levamos, e acabamos por perceber que metade do que levamos nos seria suficiente! O peso de coisas desnecessárias, atrapalha-nos. Quer nas nossas costas, quer na nossa vida: o essencial é, frequentemente, invisível aos olhos, e suficiente para aproveitarmos ao máximo a nossa viagem. 

Fomos com a alma aberta a novas culturas, e não fomos defraudados no nosso ímpeto pelo desconhecido. Pessoas de todas as cores e das mais diversas culturas souberam sorrir e apontar um caminho, dar uma palavra amiga ou um gracejo. Outras nem por isso, por falta de hábito, ou de vontade, por viverem (como tantos de nós, denominados ocidentais civilizados) com imagens preconcebidas acerca de uma realidade que não conhecem. 

 Dizem que quem viaja, encontra o que procura. Encontra partes de si em outros, interpreta realidades de acordo com o filtro da sua mente. Sem procurar, encontramo-nos com a nossa identidade, e com as nossas preferências. Um oceano maravilhoso e pouco luxo, a uma cidade megalómana é poluída. Tartarugas e tubarões, a uma cidade organizada e com jardins nas fachadas dos prédios. 

Aos poucos, vou conseguindo escrever-vos sobre esta aventura. Que recomendo! A todos os que tiverem uma mente aberta para a vida, a cada um que se queira desafiar no desconhecido, aventurando-se por países, tão diferentes daquilo a que nos habituámos…

Não foi desta que ficamos numa cabana à beira mar, vivendo de nadas que são tudo: um pôr-do-sol, nadar com tartarugas ou navegar em águas transparentes e delicadas. Essencialmente porque há tudos, que são essenciais para nós: pessoas sem as quais não conseguimos, nem queremos, viver longe. 

 

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