Foco

A linha do horizonte é uma ilusão. Essa linha que o nosso olhar alcança, essa linha que nos é impossível alcançar, direcciona-nos enquanto nos inspira.

Olhar a linha do horizonte, em pura contemplação, deixa-me viajar pelos meus sonhos. Os que concretizo dia-a-dia, aqueles a que me dedico (inconscientemente, até!), aqueles que por vezes abandono (descuro!) pela imposição de rotinas ou prioridades (para depois abraçar, com maior garra e dedicação). Todos os sonhos são uma ilusão, até que um dia nos beliscamos sem acordar de seguida.

No entanto, se na linha do horizonte existe um barco, sei que posso alcançar o barco. O sonho. Mas, no preciso momento em que o faço, constato… Que a minha linha do horizonte mudou para mais longe e procuro outros sonhos para alcançar. Outros horizontes. Ou então velhos sonhos, aos quais regressar.

A insatisfação rege a nossa vida. E a vida, como um camaleão, assume diferentes contornos consoante os dias passam e nela projectamos os nossos sonhos, esperanças, receios e medos. Nessa ténue linha que nos dá vida (a do horizonte), existe uma magia que nos alimenta a alma, e nos projecta num trajecto só nosso.

Esta magia é alimentada quando contemplamos o horizonte e nos imaginamos, sem dúvidas, a viver os nossos sonhos.

(Estão a acompanhar-me? Se estiverem, aposto que já fecharam os olhos várias vezes, de sorriso na cara. Ou já foram à janela, espreitar o sol a pôr-se ou apenas a observar a paisagem de sempre, com outros olhos…)

O foco é uma de três forças, que nos alimentam na direcção dos nossos sonhos. É essencial na medida em que, se perdermos de vista esse barco que almejamos alcançar, vamos dispersar e perder. Por vezes de nós mesmos. É por isso que parar é importante. Não parar de ficar parado, mas parar as nossas rotinas para deixar entrar o imprevisto. Férias do que é habitual, para nos reencontrarmos e redefinirmos. Um fim-de-semana ou férias, daquelas a sério: não importa! Importa é parar o dia a dia e ir, atrás de nós! Atrás de quem somos, de quem almejamos ser…

Reinicio um percurso, pleno de coisas que são as de sempre, buscando novos sonhos e regressando a objectivos antigos. Talvez sejam objectivos antigos, porque nunca os sonhei. Nunca acreditei o suficiente para que os fizesse acontecer. Os objectivos, a que eu chamo, agora, e pela primeira vez, de sonhos.

Continuo um caminho, repleto de meandros e perigos ocultos, que ignoro ou calo, sem deixar porém de os perceber. Ganhamos paz na vida e no coração, e crescemos, quando transformamos um ‘menos’ silencioso, em ‘mais’ daquilo que nos faz felizes. E… Sem ‘senãos’, o que seria de nós, nesta aventura imensa chamada Vida?

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