A tal da Confort zone!

E eis que estou aqui, em Andorra, sem nunca ter visto neve antes, nem uma prancha de snowboard à frente do meu nariz. Até há três dias atrás. 

Eu que não gosto de zonas de “desconforto”, mas gosto de sair da zona de conforto. (Sou uma rapariga, por isso é fácil de perceber isto, não é?)

Planeamos esta viagem, meio em cima do joelho, com a certeza de datas, mas com estadia incerta até à última hora. A neve trazia-me ansiedade, mas este ano já foi cheio de mudanças, pelo que fui deixando o drama e encarei esta “primeira vez” com ligeireza. 

Até ver os meus dois pés presos a uma prancha. 

Até ver a inclinação das montanhas. 

Até falhar, uma e outra e outra vez.

É que dizem que quando caímos nos levantamos, mas com uma prancha nos pés e gelo debaixo da prancha… Digamos que q não foram momentos simpáticos! 

No seu silêncio, a montanha diz-nos tudo. Testa os nossos limites e faz-nos regressar a um mundo onde reconhecemos que, se existe uma Wonder Woman, não somos nós de certeza nem nunca iremos ser! 

Se estivermos atentos aos seus sinais, podemos levar destas experiências, aprendizagens essenciais para o nosso dia a dia. 

Mais do que aprender a equilibrar-me numa prancha, ou a deslizar sobre a neve, ou mesmo a aprender a melhor forma de cair, nestas poucas horas, eu já percebi… 

É mesmo verdade, isso que dizem! Ao olharmos do cume uma montanha vemos todas as descidas possíveis (e parecem imensas e horríveis e impossíveis de fazer sem daí resultar um traumatismo craniano) mas depois, passo a passo, no meio da montanha e das descidas escolhidas, tudo parece mais fácil e tranquilo, desde que optemos pela atitude simples de viver o momento e aproveitar a viagem. 

Deslizar pela neve, ganhar velocidade, tentar controlá-la ou simplesmente procurar cair de forma calculada para descansar a bela da coxa, que começa a gritar por ajuda com o passar do tempo. Para depois recomeçar outra vez! Pelo meio tentar uma travagem mais arriscada, ou dar uma volta atrevida para a nossa qualidade de rookie: quem somos nós se não nos atrevermos, na neve, na vida?

Roma e Pavia não se fizeram num dia. E aprender snowboard leva bem mais que uma eternidade de três dias! 

Ao fim de dois dias aqui em Arinsal, decidimos apanhar o teleférico e ir até La Massana, pela montanha: nós e as pranchas! Paniquei ao ver a primeira subida, e adivinhem lá? Esta descida foi divertidissima, bem ao final do dia! 

Eu quero aprender tudo ao mesmo tempo, mas o meu corpo não segue, e fico irritada por não conseguir fazer o que quero no momento certo. Esta frustração aliada à vontade de explorar coisas novas não produz um sentimento agradável. Mas resulta numa vontade de aprender mais, ser melhor, para poder ser mais audaz um dia. E tentar, a cada dia, algo novo.

Aparentemente, amanhã há mais. Wish me luck! 

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