Resiliência

Caminhamos para o Douro, conversando descontraidamente. Era Verão e o calor aconchegava-nos a pele e o humor. À beira rio, rapazes subiam uma estrutura metálica, de onde mergulhavam para o rio, a uma altura de três metros. Ignorando a poluição. Ambicionando apenas um pouco de adrenalina (aquele frio na barriga!), em mergulhos de intermináveis risos e conversas casuais.

Todos menos um. Esse debatia-se com o que lhe pareciam ser 500 metros de altitude. Era talvez o mais novo, ou aquele que gostava era de brincar com a Playstation. A do conforto do seu lar! Não a da vida real.

‘É mais importante ser resiliente do que ser forte.’

Somos forjados de sonhos. Cravejados por propósitos, que nos dão vida ao olhar e rasgo de vontade na postura. Seguimos confiantes num sentido, construindo com determinação: dedicação! Ultrapassam-se obstáculos, como se fossem pequenas pedrinhas até que ocasionalmente aparecem caminhos sinuosos, com escarpas e pedregulhos que nos fazem abrandar.

Ah… Os projectos, a vida! E como a vida dá dessas voltas para nos desmotivar e fazer desistir. Com o único propósito de nos fazer merecer alcançar os nossos sonhos. Com o único propósito de nos fazer perceber a importância de tudo o que existe à nossa volta, para cada um de nós. A importância de abraçar a corrente, avançar devagarinho, recuar talvez um pouco… Mas não desistir!

Ah… Este limbo de vida, em que a vida te testa as forças e a vontade. Te faz questionar os teus sonhos vezes sem conta até perceberes. Até te questionares o suficiente e, de forma teimosa, bater o pé no chão e dizer: ‘-Mas é isto que eu quero!’

Talvez seja esse o momento crucial. Aquele em que pões pés ao caminho e fazes acontecer. Sem dúvidas. É que, ouvi dizer, o mundo inteiro pára e se afasta, para deixar passar um homem que sabe aonde quer ir.

Demoramos longos minutos nessa esplanada. Aquela à beira rio. Aquela polvilhada de olhares cúmplices num lanche tardio não planeado. Aquela em que o Sol se ameaçava por quando nos levantamos para ir jantar qualquer coisa, a qualquer lado não pensado.

À beira rio, só um rapaz permanecia, sentado, lá em cima, debatendo-se com os seus fantasmas.

Reza a lenda que até hoje ali permanece. É aquele menino dentro de nós, que procura a coragem para fazer o que quer, num mundo que vive de ensaios e ver fazer. Aquele menino que larga o sofá, porque quer brincar à vida real. Mas que ainda não deu o salto. Aquele de fazer acontecer.

 

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