Esse tal de Crossfit

Há um ano, tomei uma decisão que se revelou crucial na minha vida: entrei na Openbox no último dia de Setembro. Para ‘ver’.  E, nestes imensos metros quadrados, aparentemente vazios (mas cheios de sangue, suor e lágrimas dos seus atletas), senti-me em casa. Acho que tive alguma sorte… Não havia barras carregadas a provocar autênticos terramotos no seu violento encontro com o chão, e deambulavam até alguns atletas pela box, ora em handstand walk, ora ‘sacando’ umas pull-ups ou uns muscle-ups: movimentos que me fascinam, por si só.

A simpatia da Vera, enquanto me mostrava a box, era meio tímida e despreocupada. No balneário, esbugalhei os olhos, com as regras burpee-escas, e logo naquele momento achei que era melhor nem me atrasar: para me atrasar, era melhor nem vir treinar! Só a palavra – burpees – parece sofrida. Enrola-se a língua no “u” e depois prolonga-se indeterminadamente o sofrimento: ” pees”. Um conselho? Vejam alguém a fazer um enquanto dizem a palavra alto e bom som: percebem agora?

Na verdade falhei alguns treinos, porque sabia que ia fazer burpees pelo atraso… Eventualmente essa mania passou-me, quando comecei a ter mais força (vontade!), e a verdade é que esta “mania” me empurrou para a última aula do dia: adoro treinar a essa hora! Passaram dois meses, até me inscrever oficialmente na Openbox. Sou orgulhosamente a sócia 090!

O meu objectivo? Focar-me em mim, cuidar de mim, preparar o meu corpo para enfrentar desafios, eu, eu, eu. Mentir porquê? Mimar-me era mesmo aquilo que eu precisava, ainda que soe estranho que alguém se mime numa box! Não é num spa que isso se faz? A verdade é que todo aquele treino intenso me afastava do mundo lá fora, e na medida de um WOD, eu encontrava mais do que algum dia, um divã de um psicólogo, me poderia oferecer (com todo o respeito pelos psicólogos e principalmente pelos divãs, locais perfeitos para sonecas e afins!). E se o treino é “impacável”, não chega nem aos pés de toda a força humana que esta box contém! É que, se vocês não sabem deviam saber: os locais são, antes de mais, pessoas! Definem-se pelos seus risos, e piadas, modo de estar e agir. A família Openbox?  É única e irremediavelmente a melhor do mundo. Apoio. Respeito. Cooperação e entreajuda. Não me consigo alongar… É que é tão difícil falar sobre coisas que estão tão perto!

Um ano depois, dei por mim a pensar neste percurso. O que consigo fazer. O que não consigo fazer. Quais são os meus limites, e o que poderei fazer para os ultrapassar. Um dos grandes ‘senãos’ que encontrei prende-se com sentir o treino como uma obrigação (um compromisso!) para que chegue a ser melhor do que algum dia pensei: superar-me. Não me sinto de todo preparada para encarar demasiado a sério o Crossfit. Quero evoluir (sim!), mas divertindo-me durante o percurso. Com finais de dia que me alegrem e deixem com sentimento de dever cumprido. Então, essencialmente, procurei traçar novos objectivos. Acho que, se ao fim de quase um ano saiu uma pull-up (pobre Ferraz, sim, eu sei!), talvez este ano possa almejar fazer um muscle-up! O outro grande objectivo, é sentir-me capaz para concretizar desafios: sejam eles escalar uma montanha, ou descer um rio com corrente forte num barco minúsculo. Sentir-me capaz, para (poder) viver a 100%! Porque, como diria Douglas Coupland:

”Adventure, without risk, is Disneyland.”

E eu, Ana Ferraz, posso até ser pinky&fluffy, mas quero desafiar o mundo! (Oupas! Tá muito lento isso!)

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